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domingo, 30 de janeiro de 2011

Do falar em público


Não que eu tenha especialmente uma vergonha de falar em público. Tenho especialmente vergonha de falar para um público medianamente desconhecido.

Ontem, às pressas, fui convidada - e aqui fica o agradecimento - para falar sobre a minha profissão para um público de jovens, do qual metade eu desconhecia. Não bastasse os ingredientes
surpresa, despreparo e ansiedade, quem me acompanhava nessa tarefa eram profissionais pelo menos umas dez vezes mais gabaritados que eu. Gabaritados não somente em suas profissões, mas também no quesito falar em público. Toda a parte sobre falar sobre mim estaria ok, não fosse o caso de eu estar rodeadas de caras que são diretores, advogados bem sucedidos e outros cargos do gênero.

Falar para um público pode causar transtornos dos mais variados: suadeira - com sua licença, amigo Graciliano -, gagueira, sede, tremedeira, calor na espinha e, provavelmente o pior de todos, amnésia.

Sim, porque, por mais que você esteja cem por cento seguro do que precisa falar, você simplesmente esquece tudo o que tem a dizer quando percebe uma média de cinquenta rostos olhando fixamente e freneticamente para você.

- Como você escolheu sua profissão?
- Pff.
- O que te influenciou nessa decisão?
- Pff.
- Você se sente vocacionado?
- Pff.

E não adianta mais olhar para o relógio pregado na parede, porque esse truque não funciona mais. Ao contrário do que ficava fixado no antigo templo da Assembleia de Deus, o relógio do templo em que estou atualmente sofria com o reflexo de uma lâmpada. Não era possível ver os ponteiros andando. Sem saber para onde mais poderia olhar, encontrei uma cadeira vazia em meio aos que me observavam. Lá fixei meu olhar, sem me atentar exatamente ao que falava, e sim em como poderia passar logo o microfone para o meu companheiro da esquerda.

E lá vem outra rodada de perguntas.

- Quais são as maiores dificuldades encontradas na sua profissão?
- Pff.
- E as conquistas?
- Pff.

E eu continuava me sentindo como um corpo sendo dissecado por um grupo de estudantes de medicina de alguma faculdade açougueira. Me dissecavam os dedos, as unhas, as cutículas, e nada de muito interessante encontravam lá. Nada digno de ser anotado. Nada digno de ser discutido ou levado em pauta à diretoria. Minha alma se remexia ao som de I Like to Move It, aonde quer que ela estivesse.

E lá vem a última rodada de perguntas. Ufa.

A proximidade do fim me anima, e libera a rolha que fechava a minha garganta.

- Como você lida com a ética na sua profissão?
- Bla bla bla, bla bla bla, bla bla bla.
- Como você concilia sua posição cristã com a profissional?
- Bla bla bla, bla bla bla, vla bla bla.

E, nesse momento, eis que eu consigo enxergar os ponteiros do relógio, que anunciam que mais de uma hora se passou desde que toda a história começara. O moderador da mesa também pede que nós nos apressemos e resumamos tudo o que ainda temos para falar.

E é assim que, no momento em que eu me sinto confiante para me tornar o novo exemplo de sucesso da geração, o grupo de estudantes de medicina amputam minhas pernas e decepam meu pescoço, afim de calarem a voz da alma que insistia em tomar de volta seu lugar.

Se houver uma próxima vez - que ela aconteça com o intervalo mínimo de um ano -, prometo ir melhor preparada. E com um relógio de pulso, por via das dúvidas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Resoluções para um novo ano


E lá vamos nós rumo a mais um lugar-comum das trocas de ano: lista de tarefas que deverão ser desenvolvidas ao longo do ano que vai nascer. Juro que tentei escapar dessa pieguice, mas não deu. E acho que é justamente pelo fato de as pessoas não conseguirem escapar dessas listas que elas se tornaram tão clichês. Enfim.

Fato é que 2011 já começou para mim de uma forma totalmente fora do que eu esperava em dezembro. É como se a vida que eu conseguia segurar em minhas mãos tivesse escorrido por entre os dedos, deslizado por minhas pernas e chutada para muito, mas muito longe. Essa sou correndo atrás dela em qualquer lugar em que esteja.

O ano começou com o trancamento da minha faculdade de Produção Editorial (o trancamento de fato ainda não aconteceu, mas isso não vem ao caso). Faço isso com muita dor no coração, já que eu amo o que estudo. Ou melhor, eu amo a minha profissão e o que faço e, mais ainda, amo o que quero ser no futuro. Dadas as circunstâncias financeiras em que me encontro, está totalmente fora de cogitação bancar uma mensalidade de R$920 esse ano. A vida social e prática mandou um alô. Ao contrário do que isso leva a crer, não, não vou abandonar meu bom combate - oi, Paulo! - e não vou deixar meus tão amados livros de fora da minha vida. Meus planos para o ano que vem são outros, mas não cabe agora explicar minuciosamente quais são eles.

O trancamento da minha faculdade levou à outro problema: eu estava estagiando em uma editora de médio porte e com grandes oportunidades de carreira mas, por deixar de estudar, também precisei abandonar o estágio. O que não foi de todo ruim, pois consegui um emprego perto da minha casa e com condições ainda melhores que as do emprego antigo.

Então, pra 2011, prevejo muitos e muitos estudos. Estudos esses que interferirão fortemente em meu 2012.

Em 2011, pretendo ler boa parte dos livros indicados ao Prêmio Jabuti. Nenhum motivo especial, mas quero poder opinar com propriedade sobre as obras indicadas e as premiadas. Poderei até, quem sabe, entrar numa dessas discussões acaloradas que aconteceram devido ao prêmio recebido por Chico Buarque pelo Leite Derramado. E olha que eu li o Leite Derramado.

Mais que qualquer coisa, pretendo ser mais forte em 2011. Chorar menos, reclamar menos, murmurar menos, aceitar com um sorriso maior o que a vida resolver me dar. Pretendo ser mais grata, mais agradecida.

Pretendo, também, criar mais vergonha nessa minha cara e escrever com maior regularidade. Afinal, é isso o que se espera de uma pessoa que deseja ser uma editora de textos, não é mesmo?

Enfim. Que todos tenhamos um 2011 feliz, cheiroso e lindo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Considerações de mais um fim de ano

Chega dezembro, e com ele o festival de clichês que inunda toda a rede de blogs. Por que haveria de ser diferente com o meu? Não que eu goste desse clima piegas de todo fim de ano, mas não há como fugir de fazer as considerações sobre tudo o que aconteceu durante o ano inteiro.

Pois bem, vamos então às minhas considerações.

Digamos que 2010 foi um dos anos mais intensos da minha vida. Talvez por ter sido precedido por dois anos monótonos, em que eu nada fiz além de trabalhar e trabalhar, talvez por ele ter sido realmente agitado e com muito mais emoções do que eu poderia prever.

Em 2010, finalmente entrei para a faculdade, dessa vez pra valer, sem trancar a matrícula na terceira semana de aula. Hoje, sou oficialmente uma futura produtora editorial - se você não convive comigo, dificilmente saberá a importância disso para mim -, o que acarretou muitas dores de cabeça durante todo o ano. Todo início de mês, o mesmo drama: pagar a mensalidade, caríssima para o meu poder aquisitivo. Aos trancos e barrancos, fui conseguindo pagar mês a mês. Torço muito para que isso melhore em 2011. Outro dilema foi a enxurrada de trabalhos e projetos que precisamos desenvolver nos dois semestres que se passaram. Não sei se os professores pensam nisso, mas o fato é que a carga é realmente muito grande para quem precisa conciliar estudo e trabalho. Minhas horas de sono diminuíram, e meu tempo livre aos finais de semana ficaram escassos por muitas vezes. E não acho que isso vá melhorar em 2011.

Em 2010, descobri o que é de fato exercer o cristianismo, fato que eu ainda estou tentando assimilar. Não creio que eu vá alcançar o que considero ideal ainda em 2011. Quem sabe em 2020. Brinquei de ser missionária e descobri quão árduo é assumir essa tarefa. Ingressei, juntamente com amigos, em uma ONG - em fase de testes, diga-se de passagem -, e descobrimos juntos quanto suor ainda precisaremos gastar para chegarmos ao que consideramos que seja um belo trabalho social. Aprendi que ainda preciso aprender muito para querer construir um ser humano.

Em 2010, amei muito. E fui amada, muito amada. Deus me deu um anjo de presente, e foi esse anjo que me ergueu e reergueu incontáveis vezes, sempre que eu queria descer ao fundo do poço. É esse anjo que me fez lembrar, dia após dia, a importância que a esperança exerce sobre a minha vida, e o quanto eu preciso deixar que a persistência me acompanhe. Esse anjo me fez sorrir inúmeras vezes, e também enxugou minhas lágrimas incansavelmente. Suportou meus momentos de histeria, e esteve ao meu lado nos momentos em que o riso parecia não caber em meu rosto. Esse anjo me mostrou o que é, de fato, amor.

Em 2010, ganhei poucos novos e excelentes amigos. Pessoas que estavam perto de mim e que se revelaram verdadeiras colunas onde pude me apoiar e me sentir segura. Em 2010, também perdi muitos amigos. Melhor: digamos que em 2010 eu me desfiz dos que eram apenas festivos e momentâneos, e por isso rasos, e me apeguei com todas as minhas forças aos sólidos e constantemente presentes. Deixei de viver dentro de uma bolha de aparência e falsa simpatia, e posso dizer que saí no lucro.

Em 2010, chorei muito. Me desesperei muito. Me senti só por muitas e muitas vezes. Quis jogar tudo para o alto um sem número de vezes. Me desanimei demais. Reclamei. Questionei. Esperneei. Não me conformei. E, com isso, hoje posso dizer que, em 2011, estou preparada para aguentar muitos trancos. Podem vir, porque eu já sei como lidar com vocês.

Aprendi que, em 2011, preciso voltar a ser otimista, dar graças em meio à dificuldade, sorrir quando nem tudo vai bem, esperar o melhor das situações mais difíceis. Preciso manter a fé. Preciso amar. Preciso ser grata.

Venha, 2011.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Oscilação

Oscilo entre o claro e o escuro, entre o frio e o quente, entre o êxtase e o chão, entre o riso e o choro.

É o que tenho para hoje.

sábado, 6 de novembro de 2010

Escuro

E é isso o que se tem: o escuro, o vazio, o frio.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Lixeira

Estou passando por um processo de mudança. Consegui um estágio muito bom em um cargo que eu queria há tempos, e estou saindo hoje da empresa na qual trabalhei por 1 ano e meio, além de, há três anos, ter sido meu primeiro emprego, como estagiária do curso técnico que fazia.

E mudanças como essas exigem da gente posições que antes não precisávamos tomar. Exige senso de organização com o seu trabalho, senso de respeito a quem um dia vai vir e ocupar a sua cadeira, e senso de maturidade para aceitar e esperar sem demasiada ansiedade o que está por vir.

E, nessa de arrumar as coisas para a minha saída, o maior dilema com o qual me deparei foi um bem simples, porém grandioso e desastroso para mim: deletar a lixeira.

Sou do tipo que guarda roupas velhas desde a infância, e só doa ou joga fora quando a mãe obriga.

Sou do tipo que tem uma caixinha de lembranças onde guarda coisinhas importantes e especiais que tem guardado desde os 11 anos, onde, recentemente, descobri uma embalagem de um bombom Sonho de Valsa que ganhei do meu primeiro namorado, aos 13 anos. Na época, ele mal sonhava que eu gostava dele, e aquele bombom foi a coisa mais especial do ano.

Sou desse tipo que viaja pra outras cidades e compra lembrancinhas que lembrem a cidade, guarda no armário e nunca mais joga fora.

Sou de um tipo que não se desfaz de nada com medo de um dia precisar do que foi jogado fora. Me apego às pequenas coisas sem valor, numa tentativa de não esquecer nunca o que passou.

E então eu pergunto: como esvaziar uma lixeira que está ali, intacta há 18 meses?

Esvaziei.

Me sinto esvaziada.

40gB de lixo que foi embora, 40gB de mim que está vagando em algum lugar desconhecido.

Agora está tudo vazio, tudo limpo.

Me abro para o novo que está por vir, com expectativa de que tudo se encha rapidamente; com ansiedade de que o novo conteúdo seja melhor que o antigo; com esperança de que, dessa vez, leve mais tempo para que eu precise esvaziar tudo novamente.

E se aproxima a entrega das chaves.

A entrega das chaves é o símbolo do não-voltar, é o símbolo do recomeço, é o símbolo do novo.

É o fim, que venha o novo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Confusão no Metrô: 21/09/2010




Hoje deveria ser mais um dia tipicamente paulistano: população que acorda cedo, pega o ônibus, metrô, trem, tudo lotado, até chegar ao seu trabalho, não fosse (mais) um imprevisto no Metrô. E, hoje, a situação foi um pouco mais tensa do que o que já acontece de costume.

Às 7h30 da manhã, uma composição parou entre as estações Dom Pedro II e Sé. A parada foi longa, e aí já pode-se imaginar o efeito cascata que causou em todas as estações da linha vermelha em direção à Zona Leste, até Itaquera.

Dada a demora do reestabelecimento do serviço, as pessoas que estavam dentro das composições paradas ao longo de todas as estações começaram a descer dos trens, apertando os botões de emergência, forçando a abertura das portas, ou abrindo as janelas de emergência. A partir daí, já dá pra ter noção do caos: os trilhos ficaram tomados de gente, o Metrô foi obrigado a desernegizar a rede para evitar acidentes, e nada pôde voltar ao normal enquanto todos os usuários estavam nas linhas.

Desse horário até aproximadamente 10h30, quase as estações da Zona Leste fecharam os acessos pra evitar a superlotação, e estava devolvendo os bilhetes de quem desistia de pegar o metrô e saía da estação.

Mas o que me indigna nessa história toda e me motiva a fazer esse post com todas essas informações que já estão em todos os sites de notícias, é justamente a falta de respeito para com a população por parte da assessoria de imprensa do Metrô e também dos grandes meios de comunicação.

Acontece que, em qualquer lugar em que se lê/vê as notícias sobre o acontecido, a justificativa para a pane é que uma BLUSA impediu o fechamento de uma porta, e em seguida apertaram o botão vermelho de emergência, causando toda a pane e forçando o desligamento da rede.

E aí eu pergunto: ONDE É QUE ESTÁ A VERGONHA NA CARA dessa assessoria?

TODOS, repito: todos os paulistanos que estão acostumados a pegar metrô todos os dias no horário de pico sabem o quanto é comum essa cena: um objeto que impede o fechamento de uma porta, ou uma pessoa que passa mal e desmaia dentro do metrô por causa da lotação, e apertam o bendito botão vermelho de emergência.

Pra quem não conhece o funcionamento, explico. Quando o trem está parado na estação com as portas abertas e algum objeto impede o seu fechamento, o metrô não consegue sair. Pra isso servem os agentes de estação, que vão até a porta com o problema e resolvem. E, se em uma eventualidade o metrô conseguir partir mesmo com uma das portas com uma fresta aberta - o que é raro, quase impossível -, ele só vai parar na próxima estação. Outra situação: se uma pessoa passa mal dentro do metrô, os usuários apertam o dito botão vermelho e, na próxima estação, na porte onde houve a ocorrência, estará uma equipe de agentes prontos a fazer o atendimento. Ou seja: o metrô NUNCA para no meio dos trilhos pela justificativa dada pela assessoria.

O que me causa tanta raiva é saber que, com toda a certeza, essa foi só mais uma das falhas elétricas do metrô - que acontecem com frequencia -, mas que, como sempre, foi maquiada pela grande imprensa. Certas coisas que acontecem no metrô daqui nunca vão para a mídia, e não sei se pelo fato de o metrô ser um dos carros-chefes dos governos e prefeituras PSDBistas daqui. É só vocêm paulistano, pensar: quantas vezes você já foi prejudicado quando uma pessoa caiu ou se jogou nos trilhos na frente de um trem - obviamente morrendo - e parando todo o funcionamento do Metrô? Agora pense, dessas vezes, quantas você viu notícia na TV. Com toda a certeza, nenhuma.

Eu sempre achei que essas hitórias fossem uma espécie de lenda, até eu, com meus próprios olhos, ver um corpo de uma pessoa que tinha acabado de morrer no metrô. Foi na estação Tatuapé, fora do horário de pico. A estação foi evacuada e fechada, e o trem em que eu estava só passou por lá porque já estava no meio do caminho e não tinha como voltar, mas, de toda forma, não parou na estação. Ela estava cheia de agentes, policiais e bombeiros, mas não foi nada, absolutamente NADA divulgado na mídia.

Eu fico aqui, pensando com os meus botões, e tentando descobrir mais coisas bizarras que acontecem no Metrô de SP e a relação com a sua não-divulgação na grande imprensa.

A propósito, hoje foi inaugurada a Estação Tamanduateí, na Linha 2-Verde, e que fará integração com a linha de trens da CPTM que vai em direção a Mauá. Agora, moradores do ABC poderão chegar à região da Avenida Paulista em tempo recorde. Resta saber se a linha, que é magrinha, vai aguentar.

E que fique claro: não estou, aqui, adotando nenhuma posição política. Antes que venham apontar o dedão, não estou afirmando que o governo PSBD esconde as coisas que acontecem no metrô e nem, como uns militantes, tentando descobrir se isso foi arapuca do PT pra ofuscar a inauguração da nova estação, que era tão esperada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Estive olhando fotos antigas, blogs e fotologs, e-mails, cartas. Coisas que já passaram há muito tempo e das quais eu mal me lembrava, mas, ao ler e ver cada pequeno detalhe de histórias, amizades e amores passados, me dou conta de quanta coisa eu já vivi.

Não que o conteúdo seja tão grande assim: são apenas 20 de história, sendo que, desses, separo aproximadamente os últimos 8 para reconstituir a minha vida. Não é por conteúdo, mas por intensidade de sentimentos. Olhando meu antigo Flogão e meu antigo Fotolog (sim, eu já tive um de cada), relembro fatos há muito esquecidos, e parece que eu consigo revivê-los, ao vivo.

Um turbilhão de sentimentos me invade: alegrias vividas e mágoas a ser apagadas voltam com tudo. Fecho os olhos na tentativa de capturar melhor as cenas que passam diante de mim. Tento, em vão, tocar as pessoas que nelas estão. Não desisto, e tento ver melhor os pequenos detalhes, como os sorrisos, os olhos, as roupas, o jeito de andar, o som do riso.

Sinto-me boba vendo tudo o que eu já escrevi. Pareço uma mãe diante do diário secreta de sua filha adolescente. Curioso perceber como eu já escrevi e senti tanta bobagem. Curioso ver como, há 5, 6 ou 7 anos, tudo era tão simples e fácil. Vendo daqui, hoje, os meus casos e acasos dos 15 anos parecem as coisas mais superficiais que já existiram. Mas, naquela época, eu não tinha noção de que os 20 anos chegariam. Faculdade, trabalho, amor sério. Tudo era festa, confete e serpentina.

Não se trata de mais uma crise existencial, não. Isso eu sempre deixo para a semana do três de maio. Se trata de recuperar lembranças. Se trata de lembrar de gente que não vejo há anos, literalmente. Se trata de lembrar do meu (curto, é verdade) passado, e não conseguir evitar um sorriso no rosto, e a vontade de chorar. Se trata, então, de perceber o quanto a minha vida é boa. Com seus altos e baixos, minha é boa, e foi assim desde sempre.

Hoje sou feliz por ter esses diários guardados. Não tive diários escritos depois que saí dos 12 anos, mas esses tais blogs, flogs e o que mais quer que seja me ajudaram a lembrar um pouquinho do que eu fui. Preciso dar um jeito de guardá-los de maneira definitiva, porque, se um dia ou outro os servidores apagarem esses sites que mal funcionam hoje, aí eu vou sentir que, mais dia, menos dia, essas lembranças se apagarão pra sempre da minha mente.

Mudei, mas não muito. Continuo intensa em sentimentos, porém desconfiada. Já não me dou à amizade facilmente, e hoje tenho pouquíssimos amigos. Já não falo 'eu te amo' a quem acabei de conhecer, e já não me decepciono também, já que não espero mais muita coisa das pessoas. Às vezes, sinto falta das muitas amizades efusivas e espalhafatosas, que invadiam o meu espaço com meu consentimento. Hoje, tenho uns poucos, por quem mantenho profundo amor e respeito.

À parte isso, meus sentimentos estão amadurecendo. Hoje, tenho um amor pra chamar de meu: aquele amor que faz você querer noivar, casar, ter filhos, envelhecer e morrer junto. Porque já não é possível enxergar a minha vida sem o Isaac.

Guardo esse post, então, como mais um capítulo do meu diário. Provavelmente, vou olhá-lo daqui a 5 anos e pensar: 'meu Deus, como eu era boba e escrevia asneiras'!

Pois, se é assim, quero que a minha vida seja toda cheia de bobagens, regada à asneiras e, acima de tudo, com muita, mas muito intensidade.

domingo, 22 de agosto de 2010

Notícias da Bienal (3)

Pra encerrar as minhas listas de compras:

Na Editora Leya Brasil (ela é portuguesa, se não me engano), comprei o Chico Buarque, primeiro livro do selo 'Histórias de Canções'.
Eu já tinha lido, emprestado da Biblioteca de São Paulo, a do Parque da Juventude, e me apaixonei perdidamente! Já era fã do Chico e, depois de conhecer a história das suas maiores composições, além de situá-las em um contexto cultural, minha paixão só aumentou. Além disso, tem projeto gráfico, diagramação e capa impecáveis!
Informação irrelevante: ponto pra Leya, que me deu um descontinho camarada por ser expositora lá na Bienal.

Agora, vem a minha aquisição mais docinho-de-coco-coisa-linda-de-mamãe: Alice no País das Maravilhas, edição da Cosac Naify.
Vale lembrar que o simples fato de ser um livro editado pela Cosac já o faz ser digno de compra, independente do preço. Aliás, os preços da Cosac são sempre salgados, mas eles fazem jus à qualidade impecável dos livros. Nesse quesito, a Cosac deu um mimo para os expositores: 40% de desconto! Assim, ficou impossível não comprar um dos seus livros mais bonitos.
Por incrível que pareça, nunca li Alice. Só assisti, e sou apaixonada pela animação da Disney.
Com a adaptação do Tim Burton (que por acaso considero totalmente dispensável), muitas editoras reeditaram o livro, e a Cosac saiu na frente de todas. A riqueza de detalhes das fotografias, recortes e colagens que ilustram as páginas é sem tamanho.
Indico!

***

E assim acaba a minha pequena lista de compras. Gostaria que ela fosse muito maior, mas não deu pra gastar mais que os R$ 208 gastos nessa brincadeira.

Em breve, atualizo a coluna à esquerda com os livros que estou lendo e os lidos recentemente.

E tem o meu Skoob, que é atualizado quase que diariamente.

E que venham muitos outros livros!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Notícias da Bienal (2)

Continuando a lista de compras, passei na Editora Vida pra gastar minha 'cota cristã'.

O estande está relativamente sem graça, assim como todas as outras editoras que compõem o grupo ASEC, e os descontos não estão bons. Os preços encontrados lá são os mesmos que se encontram na Rua Conde de Sarzedas. Além disso, também achei o atendimento fraco.

Vamos à lista:

1 - A Igreja na Cultura Emergente: 5 pontos de vista - Leonard Sweet
Não conhecia, mas a polêmica que envolve a 'Igreja Emergente' muito me interessa. Entre esses 5 pontos de vista, estão os do Brian McLaren e Erwin McManus, que também me intrigam. A capa também é muito bonita, o que facilita a simpatia e a vontade de comprar. Nota: a diagramação desse livro é ruim, bem ruim.

2 - Deus e Sexo - Rob Bell
É o terceiro - e acredito que seja o mais polêmico - livro de Rob Bell. Os outros dois são Jesus quer salvar os cristãos e Repintando a Igreja. Nesse, ele expõe dua ideia sobre a conexão entre sexo e espiritualidade. Vamos ver o que ele tem a dizer sobre isso...
Rob Bell é comentadíssimo: amado pela 'emergente' e odiado por uns tantos outros. É o criador da série Nooma, em que, através de pequenos vídeos (com duração média de 10 minutos), transmite seu ponto de vista, à luz das escrituras, sobre determinado aspecto da vida. Apesar do tom de auto-ajuda em alguns dos vídeos (acho que já passaram de 20), valem a pena ser vistos, e que cada um tire a sua própria conclusão sobre.

3- O Problema do Sofrimento - C. S. Lewis
Lewis, para mim, é um caso à parte, que dispensa qualquer comentário. Mas, para não parecer preguiça, lá vamos: em O Problema do Sofrimento, Lewis expõe sua visão sobre o sofrimento. Assim, simples. O caso é que, pouco tempo após ter escrito esse livro, ele perdeu sua esposa, Joy, o que, obviamente, lhe causou tamanha dor e desespero, que ele jamais havia previsto nesse livro. Então, ele escreve A Anatomia de uma Dor: um luto em observação, em que ele escreve sob outro prisma, o seu próprio, o que é, de fato, dor. O segundo eu já li e, apesar de nunca ter passado por essa situação, achei sensacional pela humanidade que há no livro. Daí a vontade de ler o primeiro.
C. S. Lewis é, para mim, um dos maiores autores - entre cristãos e não cristãos - que já existiram. É autor de livros como Cristianismo Puro e Simples e Os Quatro Amores e, o mais conhecido dele, a série Crônicas de Nárnia, que faz sucesso entre gente de todas as idades e credos.


Enfim, hora de dormir. Amanhã tem mais Bienal. #partiu