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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

Mário de Sá-Carneiro

Um sábado qualquer - 694

Carlos Ruas, no Um sábado qualquer

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Prêmio Nobel de Literatura 2011

Na manhã de hoje (06) foi anunciado o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2011: o poeta sueco de 80 anos, Tomas Transtörmer, foi premiado com medalha, diploma e uma pequena bagatela de 10 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 2,7 milhões de reais).

Não conheço nada desse poeta, assim como não conheço a esmagadora maioria dos premiados. Quero dizer, conheço a grande maioria de nome, e não por ter lido suas obras. É com certa vergonha que exponho: nunca li nada de nenhum Nobel.

Cheguei muito perto do Saramago, mas alguma tarefa mais importante à época me impediu de ler o Ensaio Sobre a Cegueira, que é o primeiro do português que desejo ler, já que o filme adaptado entrou para a minha lista de favoritos.

Pois hoje eu perdi a chance de finalmente poder dizer que li um Nobel de Literatura, e antes mesmo que o prêmio fosse divulgado: o japonês Haruki Murakami era um dos favoritos para levar o prêmio pra casa - e pra conta bancária.

Do Haruki, li Norwegian Wood, que está sendo adaptado para o cinema e tem estreia prevista para 17 de novembro aqui no Brasil. Uma vez que o livro não é um bestseller, o filme também não deverá ser blockbuster, já que ele não possui - na minha concepção - os requisitos para um filme
sessão pipoca. Norwegian Wood é denso; fala de solidão, de angústia, talvez questione o porquê de as coisas acontecerem da maneira que acontecem.

Li quando tinha 15 anos, acho. Lembro que o peguei emprestado na Biblioteca Municipal da Mooca, que era próxima à escola onde eu fazia o ensino médio. Lembro com muito carinho daquela época e das leituras que fiz ali, naquela biblioteca. Eu era só uma estudante de ensino médio, tinha tempo livre de sobra pra fazer o que quisesse, o que incluía ler muitos livros e assistir a muitos filmes no cinema. Posso afirmar que foi nessa época que eu descobri e desenvolvi essas duas paixões que hoje tenho: livros e filmes. Escolhia o que ler e o que assistir pela capa e pelo título. Nunca pelo nome do autor, já que, naquela época, minha bagagem cultural era ainda menor do que a que tenho hoje. O título mais intrigante me ganhava fácil nas prateleiras. Quando peguei o Norwegian Wood, lembro que peguei pelo título, que eu nem sabia a pronúncia correta, e pela capa, toda cinza com um círculo rosa em reserva de verniz - que eu viria a descobrir o que era um ano depois, no meu curso ténico em Design Gráfico.

Essa é a história sobre como eu perdi a chance de dizer que li, aos 15 anos, um Nobel de Literatura antes de ser premiado. Enfim, gostaria de reler Norwegian Wood antes da estreia no cinema, o que creio que não será possível devido à minha amiga companheira Fuvest, que vem me atormentando desde agosto. Uma pena!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estar sem Twitter está me ensinando a fechar a minha boquinha quando é desnecessário falar. +1 ponto

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Som e fúria

"Eu não entendo a vida. Ela é cheia de som e fúria, mas não quer dizer nada."

Som e Fúria

domingo, 2 de outubro de 2011

Se eu pudesse definir o final de semana em poucas palavras, seriam essas: curvas, compras, soda italiana, licor de maracujá, churrasco, fondue branco de morango, piscina, natureza, verde, uno. A melhor delas: DESCANSO. Mas, como nem tudo é perfeito, o final de semana se encerra em: FUVESTÃO.

Um ótimo domingo a todos e a todas.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Da alegria

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Do sabático

Quatro dias sem Facebook e Twitter. Quem me conhece bem de perto deve imaginar o quanto é difícil pra mim me manter longe das redes sociais, esses viciozinhos modernos que sugam nosso tempo útil. Tão difícil quanto manter uma alimentação saudável e longe da coca-cola.

Pra muita gente pode parecer bobeira, mas pra mim já é uma vitória. Não há nada mais frustrante que se comprometer a fazer algo e não conseguir cumprir. E olha que eu já tentei um milhão de vezes, no caso, com relação à alimentação saudável e à coca-cola.

Não há um propósito firmemente delimitado: me propus ficar longe das redes por tempo indeterminado; pelo tempo que eu julgar necessário. Mas chega um momento na vida em que a gente tem que sentar e colocar na mesa tudo aquilo em que nós estamos fundamentados: nossas crenças, nossos hábitos, nossas relações, nossos pontos de vista, nossos objetivos de vida. Tem gente que chega nesse ponto aos 40 anos, tem gente que nunca chega, e tem gente que chega aos 21 anos. Há tempo para todas as coisas, diria o sábio. E nas redes sociais estão meus maiores pontos de distração; informações para dar e vender; amigos, colegas e conhecidos queridíssimos. Quando a gente precisa ficar em silêncio, precisamos nos afastar da movimentação que traz barulho e distração. Se a movimentação e o barulho estão nas redes sociais, então é da internet que precisamos nos afastar.

Já tentei me afastar das redes no mínimo umas 35469 vezes; todas tentativas frustradas. Tomei coragem no último domingo (25), sem pensar duas vezes, caso contrário, desistiria pela 25470ª vez. Achei que piraria ou algo do tipo; sempre me achei muito dependente da enxurrada constante de informações variadas, das coisas úteis e das inúteis, do contato diário com amigos e conhecidos. Os especialistas em comunicação afirmam que o 'mal do século na web' é que, depois de tanto tempo dependentes das redes sociais, quando nos ausentamos por algum tempo temos a sensação de que estamos perdendo alguma coisa importante. Antes, ficávamos sabendo das novidades dos amigos dias ou semanas após o ocorrido; nos comunicávamos essencialmente via telefone e pessoalmente. Hoje, nos habituamos a saber das coisas em tempo real, e o que era novidade o deixa de ser menos de 7 dias depois.

Mas chega de devaneio sobre o uso e dependência das redes sociais nos dias de hoje. Esse blog aqui não é pra isso. Sobre isso, consultem o Pavablog. Whatever.

Pensando bem, acho mesmo que o endereço do meu blog, que está aí há anos e eu já nem me lembro bem o motivo, cabe muito bem à esse meu período sabático. Período sabático que durará 7 dias, 7 semanas, ou quem sabe 7 meses. Vamos ver aonde é que isso irá me levar. Se tudo der certo, prometo tentar encarar um período de alimentação saudável e sem coca-cola.

Ósculos e amplexos,
Carol.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Capítulo LXIV - Uma ideia e um escrúpulo

(...) Donde concluo que um dos ofícios do homem é fechar e apertar muito os olhos, a ver se continua pela noite velha o sonho truncado da noite moça. Tal é a ideia banal e nova que eu não quisera pôr aqui, e só provisoriamente a escrevo.
Antes de concluir este capítulo, fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir dos olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição.

Dom Casmurro

domingo, 11 de setembro de 2011

Eu queria tanto aprender a me adaptar à minha rotina. Que raiva que me dá essa minha necessidade de estar sempre mudando, sempre arriscando, sempre testando coisas novas. E a dificuldade em lidar com isso está no fato de que eu não faço efetivamente todas as mudanças que gostaria; fico só vontade. Frustra e cansa.